O deputado Jean Wyllys é daqueles políticos perigosos, que não assumem o poder que têm. Quanto mais apoio, dinheiro e poder possui, mais vítima ele se sente. Pode jurar, entre lágrimas, estar sendo alvo de injustiça, mas comete, ele próprio, as mais notáveis injustiças. Líderes políticos célebres do passado, como Alexandre Magno, Júlio César ou Napoleão Bonaparte, com toda sua violência e autoritarismo, jamais foram inconscientes em relação ao próprio poder e, portanto, demonstravam ao menos algum senso de honra e responsabilidade no seu exercício. Por sua vez, o Sr. Wyllys é irresponsável e inconsciente, capaz de fremir de autopiedade no momento em que agride, bradar contra a intolerância quando a pratica, sentir-se alvo de ódio injustificado no instante em que espuma de ódio contra os "homofóbicos" e "fanáticos religiosos". A virulência com que o Sr. Wyllys se refere aos cristãos - que não condiz com a imagem de humanista tolerante e amoroso que ele deseja transmitir - é que tem toda a pinta de uma fobia.
"O amor, como a fé, é inexplicável: sente-se ou não. Não há dicionário que possa defini-lo; só o poeta pode dizer alguma coisa a respeito — fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente — mas para entendê-lo é preciso sentir tudo aquilo que o papa, os cardeais, os bispos e os padres, pelas regras do trabalho que escolheram desde jovens, são proibidos de sentir – seja por outro homem, seja por uma mulher. Talvez por isso eles não entendem. Mas o amor nunca poderia ser uma ameaça para a humanidade; antes, sim, uma salvação para os seus piores males, um antídoto contra os venenos que a intoxicam, uma vacina contra as doenças que a afligem. O papa está errado de cabo a rabo. Ele não entendeu nada mesmo"
Bento XVI e a Igreja Católica, diz o depuado no twitter com suscetibilidade quase infantil, "não têm moral para falar do nosso amor!". Segundo o bizarro raciocínio, as crianças, por exemplo, assim como os sacerdotes, não entenderiam nada de amor, pois para isso é preciso ter feito sexo (de preferência, homossexual). Amor aos pais, amor entre irmãos, amor a Deus etc... Tudo isso está muito além da compreensão do ex-BBB, cujo órgão de raciocínio parece, por vezes, ser qualquer um menos o cérebro.
"A educação é um tema crucial para todas as gerações, pois depende dela tanto o desenvolvimento saudável de cada pessoa como o futuro da sociedade inteira. Por isso mesmo, aquela constitui uma tarefa de primária grandeza num tempo difícil e delicado. Para além de um objectivo claro, como é o de levar os jovens a um pleno conhecimento da realidade e, consequentemente, da verdade, a educação tem necessidade de lugares. Dentre estes, conta-se em primeiro lugar a família, fundada sobre o matrimónio entre um homem e uma mulher; não se trata duma simples convenção social, mas antes da célula fundamental de toda a sociedade. Por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade" (grifos meus)
Um do vídeos, por exemplo, idealizado teoricamente para o estudo da matemática, ensina às crianças que, se elas forem bissexuais, terão maiores chances de ficar com alguém (ver aqui). Trata-se de pura doutrinação sexual porque, de fato, para o ensino de matemática, o vídeo de nada serve. Seus idealizadores, eles próprios, não sabem nada de matemática. Alertando as crianças para as maravilhosas vantagens do bissexualismo, o narrador do vídeo comenta que, gostando-se de ambos os sexos, a probabilidade de encontrar alguém para amar seria quase 50% maior. Mas não é preciso ser nenhum gênio para saber que se alguém que, por exemplo, só gostasse de mulheres, passasse também a gostar de homens, sua probabilidade de encontrar alguém passaria a ser, naturalmente, 100% maior, e não 50%. Em vez de buscar parceiros num único conjunto de pessoas (as mulheres), passaria a buscá-los em dois conjuntos (as mulheres e os homens). Logo, suas chances seriam duas vezes (ou seja, 100%) maiores. Os autores do vídeo podem ser excelentes professores de "homoafetividade", jamais de probabilidade.
"Dentre todos os desatinos do papa, este foi o que mais me chocou. Talvez porque sua afirmação estapafúrdia e anacrônica tenha violado diretamente a minha dignidade humana de homossexual assumido e orgulhoso de minha orientação sexual e de minha formação científica (sim, porque a afirmação de Bento XVI parte da crença absurda de que o casamento civil igualitário vai transformar todos os homens e mulheres em homossexuais e vai impedir que todas as mulheres da Terra recorram às técnicas de reprodução artificial)"
Há aí uma mistura de tudo o que há de pior na alma humana: orgulho, vaidade, egoísmo (e é sintomático que o pronome "minha" tenha aparecido três vezes em seqüência). Todas as pessoas, é claro, trazem em si estes defeitos. Umas mais, outras menos. Mas, de todo modo, não é tão comum vê-los assim ostentados de maneira tão irrefletida, quase inocente, como se virtudes fossem.
O Sr. Wyllys comporta-se como o señorito satisfecho de Ortega y Gasset. Fala em "técnicas de reprodução artificial" como se elas sempre houvessem existido. Não pára um segundo para realizar o procedimento moral número um de qualquer homem maduro, qual seja, o de perguntar-se sobre as eventuais conseqüências da universalização de seu comportamento individual. O que teria acontecido se todos os homens, ao longo da história, fossem homossexuais como ele? A espécie humana já teria sido extinta há tempos. E, sendo assim, as técnicas de reprodução artificial sequer teriam sido inventadas. Em seu pronunciamento, o Papa apenas insistia numa obviedade: que o heterossexualismo gera humanidade e que, portanto, ele transcende o simples desejo sexual. Já o homossexualismo não gera nada além de satisfação sexual para aqueles envolvidos no ato sexual. Por mais legítima que seja essa satisfação, ela é de interesse particular. É estranho ter que lembrar ao deputado que homossexuais nascem de pais heterossexuais. Se os pais do Sr. Wyllys tivessem sido gays como ele, simplesmente não haveria Jean Wyllys para contar história.
O que o deputado parece não compreender é que o Papa representa uma instituição que não lida com as coisas do tempo histórico, mas com valores eternos. Quando o Sr. Wyllys diz que a afirmação do Papa é anacrônica, ele apenas revela não ter idéia do que está falando, uma vez que à Igreja pouco importa ser anacrônica ou contemporânea. Ela não responde pelo tempo (cronos), mas pela eternidade. Ela é, de fato, extra-crônica. A responsabilidade da Igreja é salvar almas e enviá-las à eternidade junto a Deus. A administração do tempo é reservada aos governos e aos poderes "deste mundo". A Igreja não é uma confecção de roupas; ela não tem que seguir as últimas tendências da moda. E, muito menos, endossar experimentos sociais inovadores. Se o Sr. Wyllys não fosse tão ignorante em relação ao Cristianismo, ele jamais teria optado pelo adjetivo "anacrônico" para ofender a Igreja Católica. A ofensa é estéril pois se baseia num category mistake, como diria o filósofo Gilbert Ryle, equivalente a reclamar do Teorema de Pitágoras por ser excessivamente doce.
O Sr. Wyllys já declarou abertamente que o termo "homofóbico" não se refere apenas a quem comete violência contra homossexuais, mas a qualquer pessoa que, por qualquer motivo, não aprove o homossexualismo. "A homofobia pode ser social e cultural e, dessa forma, é praticada pela maioria das pessoas" (ver aqui). Sendo que o deputado é um dos principais defensores da PL-122/06, projeto que criminaliza a homofobia, como não concluir logicamente que ele quer criminalizar a maioria das pessoas?
Os cristãos, é claro, são seus alvos preferencias e, por isso, ele ficou tão irritado com o recuo estratégico da senadora gayzista Marta Suplicy, que alterou provisoriamente o texto da PL-122/06, determinando: "A lei não se aplica à manifestação pacífica de pensamento decorrente da fé e da moral fundada na liberdade de consciência, de crença e de religião". O deputado não aceitou o recuo. Ele quer criminalizar, inclusive, manifestações pacíficas: "É difícil para a senadora compreender que, se ela é uma aliada histórica, eu sou um homossexual que conhece no corpo o peso da homofobia. O que para ela pode ser negociável por orientação partidária não o é para mim, porque minha dignidade está acima de partido e de vaidade" (grifos meus)
A Teologia da Libertação, como todo mundo sabe, é sumariamente condenada pela Igreja Católica. Trata-se de um milenarismo político, e o milenarismo - um conjunto de "fábulas ridículas", nas palavras de Santo Agostinho - fora condenado como heresia já no Concílio de Éfeso, no ano de 431 d.C. A Teologia da Libertação é que consiste, portanto, numa seita minoritária e excêntrica (extremista, poder-se-ia dizer). Sua igreja não é a de Jesus Cristo, mas a de Marx, Engels, Lênin e companhia, estes sim mentores de regimes verdadeiramente genocidas e homofóbicos.
Mas me corrijo. Não é que Frei Betto, Leonardo Boff e outros padres revolucionários do tipo - que, para o Sr. Wyllys, são os "verdadeiros" cristãos - representem um grupo exótico e minoritário no interior da Igreja. A coisa é pior: eles nem mesmo fazem parte da Igreja. Como esclarece o Decretum contra Communismum - lançado pelo Papa Pio XII em 1949, e depois referendado pelo Código de Direito Canônico de 1983, publicado por João Paulo II -, todo católico que, em nome da Igreja e da religião cristã, obstine-se em defender o comunismo ou colabore com organizações comunistas, incorre em pecado gravíssimo, sujeito a excomunhão automática (latae sententiae). Ou seja, os "verdadeiros cristãos" do deputado, mesmo que não saibam, são apóstatas da fé católica e, portanto, quando pregam, o fazem em nome de outra igreja. Se, ao fazê-lo, alegam-se sacerdotes católicos, incorrem em crime de falsidade ideológica e estelionato. Enquanto isso, aqueles que o Sr. Wyllys rotula de "pequeno grupo de extremistas" reúnem-se aos milhões para assistir às missas do Papa, a quem vêem como líder máximo e legítimo de sua igreja.
Já para Jean Wyllys e para os militantes gayzistas, partidários do velho hedonismo materialista de Marquês de Sade, o homossexualismo define a pessoa por inteiro. Ele passa a ser uma identidade total, uma razão de viver, uma causa, um motivo de orgulho. Nessas condições, como não poderia deixar de ser, o espírito torna-se hipersensível, melindrado e ressentido e, na primeira oportunidade, ele buscará vingança contra um "bode expiatório" de ocasião.
Nos países islâmicos e socialistas, por sua vez, os cristãos estão sendo exterminados não apenas social, mas fisicamente. A violência e a perseguição a cristãos aumenta a cada dia na Nigéria, na Índia, no Egito, na Costa do Marfim, na China, na Coréia do Norte, na Síria, no Irã, e em muitos outros países. Os cristãos são hoje, indubitavelmente, um dos grupos humanos mais ameaçados e perseguidos do mundo. E, no entanto, a imprensa brasileira sequer noticia...
No panfleto do The Guardian, o Sr. Wyllys acusa os pastores evangélicos de ter "as mãos sujas de sangue dos homossexuais que morrem no Brasil vítimas de homofobia". Como já mostrei em outro post, baseando-me em dados fornecidos pelo próprio movimento gay, o número de crimes comprovadamente motivados por homofobia é quase insignificante no Brasil. Dentre esses crimes, não há nenhum que tenha sido cometido em nome da fé cristã ou da Bíblia. Os cristãos brasileiros - católicos, evangélicos ou ortodoxos - são unânimes em condená-los. Na realidade, portanto, seria muito mais fácil provar que, nas atuais circunstâncias, são as mãos do Sr. Wyllys - e de boa parte da classe falante brasileira, sobretudo da imprensa - que se tingem de sangue cristão. Mas há um nome técnico para a desproporção entre a hipersensibilidade da elite cultural brasileira diante da homofobia e a sua total ausência de sensibilidade em relação ao sofrimento de cristãos pelo mundo. Chama-se histeria.
E assim segue nosso cavaleiro de triste figura, imerso em sua jornada pessoal contra si mesmo, debatendo-se contra os próprios sentimentos de inadequação e buscando um alvo para descarregar as frustrações geradas por uma vida auto-esvaziada, reduzida às condições materiais de um corpo gay que se faz passar por altar. Nas mãos de pessoas assim tão auto-centradas, o poder é sempre uma arma de alta periculosidade. Quem gostaria de viver num mundo em que Dom Quixote, com sua total ausência de senso de realidade e empatia, adquirisse poder sobre a vida dos outros?












